Sim, era pra dar. Tinha você e eu e o tempo passando entre nós dois. Às vezes dava agonia, preferia que não passasse, afinal, olha só o que ele faz.
Sim, eu queria que desse. Que de repente tudo mudasse, tipo acordando em outra realidade. Queria que visitássemos Jerusalém.
Eu tenho achado essas coisas bonitas.Cristo na cruzzzz, os homens gritando, e a forma com que ele estava certo e eu até poderia ser sua seguidora hoje em dia.
Éramos nós, e os seus e os meus olhos enlaçados. Nunca como antes. Mil questões que davam em nó e a gente preso ali sem conseguir dizer uma só palavra.
O teto do seu quarto tem poeira e me faz coçar os olhos. A parede do meu quarto tem você em vários lugares. Você dominou tudo, sério, aquilo tudo. E carregou. O tempo carregou. Carregou não, deixou preso, no nó. Lembra?
Queria pedir de volta o meu sono, o seu ombro e os pelos. E aquela noite horrível, queria de volta, pra guardar num lugar estranho pra sempre. Minha libido, eu queria de volta. E o nosso futuro casamento exterminado.
Tanta coisa.
Sim, eu queria dizer tanta coisa...
4 de maio de 2010
3 de maio de 2010
cifrada
Your day breaks, your mind aches
Am C/G Fmaj7 Bb
You find that all her words of kindness linger on
C
When she no longer needs you
She wakes up, she makes up
She takes her time and doesn't feel she has to hurry
She no longer needs you
CHORUS:
Dm AM7
And in her eyes you see nothing
Dm AM7 Dm
No sign of love behind the tears
AM7
Cried for no one
Dm AM7 Dm G11 G7
A love that should have lasted years
You want her, you need her
And yet you don't believe her when she said her love is dead
You think she needs you ...CHORUS
You stay home, she goes out
She says that long ago she knew someone but now he's gone
She doesn't need him
Your day breaks, your mind aches
There will be time when all the things she said
will fill your head
you won't forget her ...CHORUS
esperando que a situação dure tão pouco quando a música;
Am C/G Fmaj7 Bb
You find that all her words of kindness linger on
C
When she no longer needs you
She wakes up, she makes up
She takes her time and doesn't feel she has to hurry
She no longer needs you
CHORUS:
Dm AM7
And in her eyes you see nothing
Dm AM7 Dm
No sign of love behind the tears
AM7
Cried for no one
Dm AM7 Dm G11 G7
A love that should have lasted years
You want her, you need her
And yet you don't believe her when she said her love is dead
You think she needs you ...CHORUS
You stay home, she goes out
She says that long ago she knew someone but now he's gone
She doesn't need him
Your day breaks, your mind aches
There will be time when all the things she said
will fill your head
you won't forget her ...CHORUS
esperando que a situação dure tão pouco quando a música;
23 de abril de 2010
22 de abril de 2010
Não sabia por que sua crítica estava mais alerta que sua compaixão. Precisava começar do “acorda. Senta.” Tudo daí em diante estava assim meio sombrio. Sombrio do jeito que você não quer ir. Precisando ter forças internas para escolher o próprio chão. Quando sabia escrever histórias tudo ficava mais divertido. O que fica? Eu nem queria estar certo. Chega de cartas pessoais. Estou escrevendo sobre elefantes atolados na lama. Sobre uma lesma que um dia eu imaginei. Do dia em que ele foi embora. Outra vez.
21 de abril de 2010
nobody loves me
a coisa passa quando voc~e começa a achar que só consegue se expressar através das letras de música dos outros. até porque você nunca escreveu nenhuma letra de música. a não ser quando você tinha uns 10 anos e queria ser A DENÚNCIA SOBRE A EXPLORAÇÃO DO HOMEM PELO HOMEM.
Sete horas da manhã; eu escrevo blá; minha psicóloga deveria ler o meu blog.ELA. deveria.
Sete horas da manhã; eu escrevo blá; minha psicóloga deveria ler o meu blog.ELA. deveria.
7 de abril de 2010
31 de março de 2010
show do radiohead
Um pote para guardar tudo isso. Tampar. Deixar. E ver que eu estou aqui, tanto quanto você, e aqueles dali, para respirar.
Não há essa posse da qual eu falo, sempre, nos pronomes que uso. É habito. Um costume de pensar você preso dentro de mim apenas. Ignorar que você viva sozinho, que sua existência se despreocupe da minha. Vou tentar. E consigo.
E lá estão todos naquele canto, meio mais pra esquerda que pra direita. Todos estão juntos lá, conversando, e uns falam mais baixo que outros. Você está lá também. Como alguém que apenas está por estar, e não por mim. Como todos, você está lá. Eu gostei de te ver. Voar. Só que às vezes a liberdade alheia me aperta como que se manifestando como a minha prisão. É uma condição de comparação muito miserável, que deus me perdoe.
Eu fui tentar avisar que escondiam um corpo sobre o chão do sótão. E o sangue estava infiltrando. Eu não havia visto o corpo mas tinha certeza que ele estava, ou esteve lá. A água da bica às vezes tem gosto de cadáver – alguns confundem com esgoto. Mas eu sei. Eu vi.
Fazia uma bola gosmenta que não chegou a gotejar. Eu queria subir por aquela escada, e queria que você me ajudasse porque estava com muito medo. Eles estavam lá em baixo, podiam me ver. E era uma escada muito fina, eu podia escorregar, e quando algo me ameaçasse eu não poderia fugir, e não ia ter ninguém para me ajudar, ou ao menos presenciar a minha morte sublime. Eu queria que fosse você, se eu pudesse escolher. Se um dia eu morrer, eu quero que você veja. Promete?
Acordo. De novo. Acho que eu estava sem respirar esse tempo todo. Arde um pouco o pulmão, o ar. O tempo comprime o corpo. Comprime a mente. Por isso não vou me preocupar com o tempo. Tenho toda a vida. Inesgotável até que se finalize. Não vou contar as minhas luas, e nem as suas, mas eu quero partir antes de você. Não quero ver-te acabar sob a terra, com um câncer ou algo assim. Você vai morrer de câncer. Eu também. Acho que a gente sabe disso. Você queria morrer de uma coisa mais fulminante, um acidente de carro, de obra, um tijolo caiu ou algo assim. Só que você não entende que câncer é a coisa mais visceral. É tipo um sentimento, corroendo, corroendo e comendo tudo até ser só casca. É incrível. Muito trágico mesmo. Mais trágico que um acidente. É assim que você vai morrer. Eu estarei lá, mas eu serei só um fantasma, você vai me ver. Vou levar sua alma para a luz.
Quando eu morrer, você também vai estar lá. Do meu lado, segurando a minha mão. Daí eu direi: - “Eu te amo. Você sabe?” e sua resposta será a coisa mais importante para a minha morte. Se você não respondesse, eu viveria num limbo entre o céu e o inferno para sempre, esperando. Mas você responde logo. Você diz sei. E aí eu vou embora sorrindo.
Eu nunca vou saber o que aconteceu depois que eu morri. Mas tudo bem, eu não sou muito curiosa. Tenho déficit de atenção então as coisas ficam desinteressantes em três segundos. Menos as coisas importantes, porque essas duram pra sempre.
Talvez você tenha saído da sala chorando, e foi pra casa dar ombro a sua esposa, algo assim (ela provavelmente seria minha amiga.) Sabendo que perdeu pra sempre essa que te fala. Só uma ou outra foto que tenha sobrevivido às inovações tecnológicas. Algumas lembranças de Teresópolis. E duas tatuagens.
Eu me pergunto quantas noites um amor pode sobreviver dentro de um coração. Me pergunto todas as noites quantas noites mais. Quantas noites mais ainda poderei contar com a sua lembrança. Minha imagem quer, anarquicamente, sobreviver dentro da tua cabeça. Ela quer roubar sua paisagem interior. É ridículo.
Reluto a esta mudança. Meu corpo se estrebucha no chão, de uma maneira metafórica. Nada mais importa. É estranho.
Coloca o ouvido no meu peito. Escuta o som agudo. Eu estou aqui. Aqui. Aqui.
Não há essa posse da qual eu falo, sempre, nos pronomes que uso. É habito. Um costume de pensar você preso dentro de mim apenas. Ignorar que você viva sozinho, que sua existência se despreocupe da minha. Vou tentar. E consigo.
E lá estão todos naquele canto, meio mais pra esquerda que pra direita. Todos estão juntos lá, conversando, e uns falam mais baixo que outros. Você está lá também. Como alguém que apenas está por estar, e não por mim. Como todos, você está lá. Eu gostei de te ver. Voar. Só que às vezes a liberdade alheia me aperta como que se manifestando como a minha prisão. É uma condição de comparação muito miserável, que deus me perdoe.
Eu fui tentar avisar que escondiam um corpo sobre o chão do sótão. E o sangue estava infiltrando. Eu não havia visto o corpo mas tinha certeza que ele estava, ou esteve lá. A água da bica às vezes tem gosto de cadáver – alguns confundem com esgoto. Mas eu sei. Eu vi.
Fazia uma bola gosmenta que não chegou a gotejar. Eu queria subir por aquela escada, e queria que você me ajudasse porque estava com muito medo. Eles estavam lá em baixo, podiam me ver. E era uma escada muito fina, eu podia escorregar, e quando algo me ameaçasse eu não poderia fugir, e não ia ter ninguém para me ajudar, ou ao menos presenciar a minha morte sublime. Eu queria que fosse você, se eu pudesse escolher. Se um dia eu morrer, eu quero que você veja. Promete?
Acordo. De novo. Acho que eu estava sem respirar esse tempo todo. Arde um pouco o pulmão, o ar. O tempo comprime o corpo. Comprime a mente. Por isso não vou me preocupar com o tempo. Tenho toda a vida. Inesgotável até que se finalize. Não vou contar as minhas luas, e nem as suas, mas eu quero partir antes de você. Não quero ver-te acabar sob a terra, com um câncer ou algo assim. Você vai morrer de câncer. Eu também. Acho que a gente sabe disso. Você queria morrer de uma coisa mais fulminante, um acidente de carro, de obra, um tijolo caiu ou algo assim. Só que você não entende que câncer é a coisa mais visceral. É tipo um sentimento, corroendo, corroendo e comendo tudo até ser só casca. É incrível. Muito trágico mesmo. Mais trágico que um acidente. É assim que você vai morrer. Eu estarei lá, mas eu serei só um fantasma, você vai me ver. Vou levar sua alma para a luz.
Quando eu morrer, você também vai estar lá. Do meu lado, segurando a minha mão. Daí eu direi: - “Eu te amo. Você sabe?” e sua resposta será a coisa mais importante para a minha morte. Se você não respondesse, eu viveria num limbo entre o céu e o inferno para sempre, esperando. Mas você responde logo. Você diz sei. E aí eu vou embora sorrindo.
Eu nunca vou saber o que aconteceu depois que eu morri. Mas tudo bem, eu não sou muito curiosa. Tenho déficit de atenção então as coisas ficam desinteressantes em três segundos. Menos as coisas importantes, porque essas duram pra sempre.
Talvez você tenha saído da sala chorando, e foi pra casa dar ombro a sua esposa, algo assim (ela provavelmente seria minha amiga.) Sabendo que perdeu pra sempre essa que te fala. Só uma ou outra foto que tenha sobrevivido às inovações tecnológicas. Algumas lembranças de Teresópolis. E duas tatuagens.
Eu me pergunto quantas noites um amor pode sobreviver dentro de um coração. Me pergunto todas as noites quantas noites mais. Quantas noites mais ainda poderei contar com a sua lembrança. Minha imagem quer, anarquicamente, sobreviver dentro da tua cabeça. Ela quer roubar sua paisagem interior. É ridículo.
Reluto a esta mudança. Meu corpo se estrebucha no chão, de uma maneira metafórica. Nada mais importa. É estranho.
Coloca o ouvido no meu peito. Escuta o som agudo. Eu estou aqui. Aqui. Aqui.
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