Gato macho
casa fêmea
na casa o gato pode se abrigar por um pouco tempo, e também a casa do gato desfrutar
A gata fêmea
A casa macho
hemorragia
20 de novembro de 2010
15 de novembro de 2010
Primeiro, antes de tudo, no inicio, havia apenas as janelas. Uma janela que dava a outra janela, que dava a outra janela e assim por diante, sem espaço entre uma e outra, para sempre.tudo é a passagem.
Depois o espaço entre uma janela e outra se fez, e assim nasceram os aposentos. Quando se está em um aposento, agora, você pode pensar que existe, além daquele teu, um infinito de outros aposentos, atrás das janelas. E assim, supondo, você pode imaginar as qualidades de cada um deles, que nasceram sozinhos, que não se conhecem. Do teu aposento, vê uma janela. Abre esta janela e , passando ao outro aposento, a janela já se fecha. Não se pode esta em dois aposentos ao mesmo tempo. E quando lá está, está em casa, está em ti. Ainda existem, ao menos em nossa sugestão, a infinidade de aposentos atrás da infinidade de janelas, mas o infinito fica sempre fora do aposento, de forma que podemos pensá-lo mas nunca experimentá-lo. Ainda assim, é a ideia das janelas é que move o sujeito a continuar a abri-las, para desvendá-las, para experimentar outra caverna.
Nasci na época em que já existiam aposentos. quartos, como costumo dizer. Perdi a conta por quantos estive. Muitos. Sonho. Sonho que posso ver o infinito deles. Fecho os olhos, vejo-o. adivinho em meu corpo os movimentos de quem corre tão rápido de um quarto à outro que se sente lançado por um jato de vento entre coisas jamais vistas: O país das maravilhas. Esquizofrênico,estranhamente sedutor e um bocado hostil. A vida - assim quando se está com os olhos fechados - parece lamber os recantos mais secretos do corpo, e do interior dele ouvimos o eco do infinito que o envolve.
Neste aposento, entre essas quatro paredes, meu corpo de olhos fechados, e o infinito que ele imagina o causa câimbras e excitação. Energia sexual violenta, força vital, tudo confluindo com velocidade a um suicídio. O suicídio da inspiração eterna. Quando o pulmão estica, os músculos derretem, e então.... os aposentos desaparecem. Só janelas. Só passagens. Pequenos potes de vida. Prazeres profanos, desqualificados, mortais.
Depois o espaço entre uma janela e outra se fez, e assim nasceram os aposentos. Quando se está em um aposento, agora, você pode pensar que existe, além daquele teu, um infinito de outros aposentos, atrás das janelas. E assim, supondo, você pode imaginar as qualidades de cada um deles, que nasceram sozinhos, que não se conhecem. Do teu aposento, vê uma janela. Abre esta janela e , passando ao outro aposento, a janela já se fecha. Não se pode esta em dois aposentos ao mesmo tempo. E quando lá está, está em casa, está em ti. Ainda existem, ao menos em nossa sugestão, a infinidade de aposentos atrás da infinidade de janelas, mas o infinito fica sempre fora do aposento, de forma que podemos pensá-lo mas nunca experimentá-lo. Ainda assim, é a ideia das janelas é que move o sujeito a continuar a abri-las, para desvendá-las, para experimentar outra caverna.
Nasci na época em que já existiam aposentos. quartos, como costumo dizer. Perdi a conta por quantos estive. Muitos. Sonho. Sonho que posso ver o infinito deles. Fecho os olhos, vejo-o. adivinho em meu corpo os movimentos de quem corre tão rápido de um quarto à outro que se sente lançado por um jato de vento entre coisas jamais vistas: O país das maravilhas. Esquizofrênico,estranhamente sedutor e um bocado hostil. A vida - assim quando se está com os olhos fechados - parece lamber os recantos mais secretos do corpo, e do interior dele ouvimos o eco do infinito que o envolve.
Neste aposento, entre essas quatro paredes, meu corpo de olhos fechados, e o infinito que ele imagina o causa câimbras e excitação. Energia sexual violenta, força vital, tudo confluindo com velocidade a um suicídio. O suicídio da inspiração eterna. Quando o pulmão estica, os músculos derretem, e então.... os aposentos desaparecem. Só janelas. Só passagens. Pequenos potes de vida. Prazeres profanos, desqualificados, mortais.
11 de novembro de 2010
a anti-rosa atômica, para qualquer um
As vezes os sentimentos resistem à uma passagem continua do tempo, e isso não serve para nada efetivamente para essa pessoa que o guarda, essa casca, essa triste criatura.Isso serve para uma coisa. E a coisa acontece mais ou menos assim:
Quando o sentimento é guardado - e não se transforma em câncer ou em outro sentimento– e isso é importante e muito difícil de acontecer, pois existe uma pressão para a mudança – a existência dele é como uma vergonha para todos que o sabem existir. Cria um desconforto social, um constrangimento. Mas a pessoa casca não. Ela mostra, fala disso elegantemente, ela entende; os outros não querem entender pois assim teriam de admitir a naturalidade de tal acontecimento, e teriam de se perdoar também por carregarem as vezes, durante algum tempo, velhos cadáveres.
Digo cadáveres por uma consolidação da ideia de passagem, de morte, de fim de algo que nem material é. Sendo imaterial, abstração, é perecível apenas segundo uma lógica – também abstrata, igualmente imaterial e por isso reconcebivel, remodelavel , que se pode decretar o fim a qualquer momento: em todos os sentidos igual ao sentimento, partindo do eu que sente. Retomando, a transitoriedade das coisas imateriais é concebida tal qual a transitoriedade das coisas materiais. Como somos assim, profanos, e nosso serviço nesse mundo parece ser profanar a materialidade das coisas e depois joga-las à sua “transitoriedade”, sendo velho, fedido e louco aquele que guarda quinquilharias, vemo-nos aplicando a mesma lógica de consumo também Às coisas imateriais.
Não que tenhamos de sacralizar essas coisas. Esses sentimentos. Mas é importante saber que, independente da rotatividade de nossas materialidades, nossos bens imateriais não precisam sair de moda. As crenças, paixões e amores , diferentemente das batatas-fritas, dos cigarros, das TVs, das roupas, dos carros – tem a potencia de regerem sua própria lógica, seu próprio tempo e sua singular existência. Não sabemos disso pois não sabemos de nada. Pois cremos num Tempo, numa compreensão de tempo que não admite relativizações. O tempo do uso, do desgaste, o tempo do novo. Principalmente o tempo da auto apreciação cega, auto satisfação cega, impotente, insincera – esta é a apreciação e satisfação que devém de um eu inventado, de um eu que nasce na lógica compartilhada, um eu que não seria problema se pudesse ser transferível, esquecido, mas que ao contrario, assim como a lógica do tempo, não deixa seu posto à outros eus, e nisso já se constata sua insinceridade.
A rigidez das noções de qualquer coisa... às vezes me sufoca.
Quando o sentimento é guardado - e não se transforma em câncer ou em outro sentimento– e isso é importante e muito difícil de acontecer, pois existe uma pressão para a mudança – a existência dele é como uma vergonha para todos que o sabem existir. Cria um desconforto social, um constrangimento. Mas a pessoa casca não. Ela mostra, fala disso elegantemente, ela entende; os outros não querem entender pois assim teriam de admitir a naturalidade de tal acontecimento, e teriam de se perdoar também por carregarem as vezes, durante algum tempo, velhos cadáveres.
Digo cadáveres por uma consolidação da ideia de passagem, de morte, de fim de algo que nem material é. Sendo imaterial, abstração, é perecível apenas segundo uma lógica – também abstrata, igualmente imaterial e por isso reconcebivel, remodelavel , que se pode decretar o fim a qualquer momento: em todos os sentidos igual ao sentimento, partindo do eu que sente. Retomando, a transitoriedade das coisas imateriais é concebida tal qual a transitoriedade das coisas materiais. Como somos assim, profanos, e nosso serviço nesse mundo parece ser profanar a materialidade das coisas e depois joga-las à sua “transitoriedade”, sendo velho, fedido e louco aquele que guarda quinquilharias, vemo-nos aplicando a mesma lógica de consumo também Às coisas imateriais.
Não que tenhamos de sacralizar essas coisas. Esses sentimentos. Mas é importante saber que, independente da rotatividade de nossas materialidades, nossos bens imateriais não precisam sair de moda. As crenças, paixões e amores , diferentemente das batatas-fritas, dos cigarros, das TVs, das roupas, dos carros – tem a potencia de regerem sua própria lógica, seu próprio tempo e sua singular existência. Não sabemos disso pois não sabemos de nada. Pois cremos num Tempo, numa compreensão de tempo que não admite relativizações. O tempo do uso, do desgaste, o tempo do novo. Principalmente o tempo da auto apreciação cega, auto satisfação cega, impotente, insincera – esta é a apreciação e satisfação que devém de um eu inventado, de um eu que nasce na lógica compartilhada, um eu que não seria problema se pudesse ser transferível, esquecido, mas que ao contrario, assim como a lógica do tempo, não deixa seu posto à outros eus, e nisso já se constata sua insinceridade.
A rigidez das noções de qualquer coisa... às vezes me sufoca.
10 de novembro de 2010
pra ele, e não para ela
Um dia ela já ali não está. Acordas e ela já ali não está. Partiu de noite. A marca do corpo ainda está nos lençóis, está fria. (...)
Não há mais nada no quarto, só tu. O corpo dela desapareceu. A diferença entre tu e ela confirma-se pela sua repentina ausência.
Ao longe, nas praias, gaivotas gritariam na escuridão a acabar, começariam já a alimentar-se do vermes do lodo a remexer nas areias que a maré baixa abandonou. No escuro, o grito louco das gaivotas esfomeadas, parece-te de repente que nunca o ouviste.
Ela não voltaria nunca.
Nessa noite em que partiu, num bar, contas a história. Primeiro como se fosse possível Fazê-lo, e depois desistes.
(...)
Quando choraste, foi só por ti e não pela admirável impossibilidade de te juntares a ela através da diferença que vos separa.
De toda a história reténs apenas determinadas palavras que ela disse no sono, essas palavras dizem aquilo que te atingiu: Doença da morte.
Depressa desistes, deixas de a procurar, nem na cidade, bem na noite, nem no dia.
No entanto, assim pudeste viver este amor da única maneira possível para ti, perdendo-o antes que acontecesse.»
Não há mais nada no quarto, só tu. O corpo dela desapareceu. A diferença entre tu e ela confirma-se pela sua repentina ausência.
Ao longe, nas praias, gaivotas gritariam na escuridão a acabar, começariam já a alimentar-se do vermes do lodo a remexer nas areias que a maré baixa abandonou. No escuro, o grito louco das gaivotas esfomeadas, parece-te de repente que nunca o ouviste.
Ela não voltaria nunca.
Nessa noite em que partiu, num bar, contas a história. Primeiro como se fosse possível Fazê-lo, e depois desistes.
(...)
Quando choraste, foi só por ti e não pela admirável impossibilidade de te juntares a ela através da diferença que vos separa.
De toda a história reténs apenas determinadas palavras que ela disse no sono, essas palavras dizem aquilo que te atingiu: Doença da morte.
Depressa desistes, deixas de a procurar, nem na cidade, bem na noite, nem no dia.
No entanto, assim pudeste viver este amor da única maneira possível para ti, perdendo-o antes que acontecesse.»
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