Eu voei para um país distante. Muitos quilômetros por terra, muitos quilômetros por mar, um infinidade de gotas d água escorrendo da testa para o buço. Floresta infinita, tropical, bananeiras e macacos. Um útero povoado. Vamos nascer. O céu aqui em volta, silencioso. Um som chocalhado, na dança deles. Diria mágico. Intarritorializável.
8 de fevereiro de 2011
6 de fevereiro de 2011
sem orgãos
0. Experimentar viver nas intensidades.
Essas texturas que esfregam o corpo todo, e dentro do corpo também, como se o corpo estivesse aberto em dois, cortado ao meio.
O dia passa como ondas de calor, odor, luminosidade, junto com as imagens, os pensamentos, raciocínios-imagens, não sei como chamar. Olho a rua e ela própria se move. Meu corpo se move, eu perco o equilíbrio. Do lado dos olhos, os movimentos e cores se acumulam, se esmagam com os sons. Ouço bem forte um apito: um apagão. Estou cego por um micro tempo. Vem-me um pensamento pesado que me assusta: eu ouço o som do pensamento.
1. Aurora da alma
Pés lisos deslizam pelo chão de pedra polida. Uma camada muito fina de qualquer coisa como um gelo. O frio na sola dos pés irradia por dentro dos ossos. O gelo é meu, sou eu quem faz o gelo.
Lá no alto passam gaivotas que deslizam assim como eu, no céu. O vento alisa tudo, escorre no infinito das eternas superfícies. Meu corpo é a superfície do mundo.
Eu estou no meio desse lago congelado, e tudo que eu conheço como antes ou depois está na borda do lago e não pode entrar. Meu coração pulsa nas profundezas do lago, e tudo vibra sutilmente, com o mesmo passo.
Respiro.
Aqui eu sou quem quer que seja. Sou fluxo de identidades; não há problema.
Paro no pêlo do gato eriçado. Paro na quina quebrada da rua. Paro no som das vozes do burburinho. Eles que falam.
Aqui de dentro, minha paisagem se expande. Sonho que ela destrói tudo que à minha volta cresceu, sem eu permitir. A maior dádiva é a ter a lucidez necessária para escolher como morrer, nesses infinitos segundos de morte.
Eu morro. Eu torço para que tudo em mim morra. Eu torço para que tudo se cale. Desapareça num breu sem igual. A baleia azul de açúcar. A baleia azul de massa para molde dos dentes. A baleia azul de gelo derrete. A cadeira de gelo derrete. O coração de gelo derrete. Tudo silencia. Acabou. Caio no chão com dramaticidade. A musica para no meio, no pré coito. Caio com dramaticidade. Meus dedos se esticam em direção ao marido, que me observa com espanto. Eu sorrio.
É tudo uma grande brincadeira. Levanto-me. Sento-me na cadeira de madeira. Todo um café delicioso. O sol se estica na rua da tarde infinita.
Esse fluxo não vai parar. Não vai parar.
13 de janeiro de 2011
1 de janeiro de 2011
26 de dezembro de 2010
uhuuuuuuuuuuuuuuullll
YEAH! UHUL!
TUDO ISSO É MUITO DEMAIS.
QUANTO GENTE BONITA QUE EU PLANTEI NA MINHA VIDA.
QUANTO AINDA TEMOS PRA VIVER.
E EU GOSTO. EU GOSTO MUITO.
TUDO ISSO É MUITO DEMAIS.
QUANTO GENTE BONITA QUE EU PLANTEI NA MINHA VIDA.
QUANTO AINDA TEMOS PRA VIVER.
E EU GOSTO. EU GOSTO MUITO.
20 de dezembro de 2010
I'll laugh until my head comes off
Força centrípeta para ir cada vez mais rápido, mais rápido, mais forte, mais forte, para o centro do universo, para explodir o universo, para explodir o passado, para explodir o futuro, para explodir e girar cada vez mais rápido, mais forte.
Motor para a morte. se eu tivesse aprendido a odiar mais cedo o mundo estaria pela metade e você estaria sem dedos. e tudo seria mais justo e mais bonitos. de agora em diante, antes de qualquer coisa, eu vou jurar pela justiça e pelo sangue devidamente derramado, cantando o hino da França. nao há nada que uma noite de surra não resolva. quanto mais lascivo melhor, baby.
Motor para a morte. se eu tivesse aprendido a odiar mais cedo o mundo estaria pela metade e você estaria sem dedos. e tudo seria mais justo e mais bonitos. de agora em diante, antes de qualquer coisa, eu vou jurar pela justiça e pelo sangue devidamente derramado, cantando o hino da França. nao há nada que uma noite de surra não resolva. quanto mais lascivo melhor, baby.
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