18 de agosto de 2010

Antigamente, nas estrelas, havia uma cabana. Nesta cabana, havia três cavalos – usando ferradura.
No moinho de trás está amarrada uma fita vermelha, significando o sangue de um homem que morreu afogado em ar, e depois teve parada cardíaca e sua pele oxidou enferrujadamente.
Nos corredores listrados de amarelo horizontal e fuligem de carro de um estacionamento. Um carrinho de supermercado. Uma cabine de forças, pneus e placas que eu não consigo ler. Aqui eu morro. Afogada.
Num quarto escuro e a porta entreaberta faz um caminho de luz que corta a cama com lençol florido e o chão frio e depois se perde na claridade da janela aberta. Com algumas arvores lá fora balançando, como se o tempo fosse mudar. Em algum outro lugar do passado existia naquele espaço uma casa de fadas.
Tudo caiu no chão se esparramando e foi como se meu próprio corpo estivesse derretendo e me puxando para baixo e eu sumindo atrás de uma montanha de engasgos.
Acreditar que tem alguém te ouvindo enquanto você sonha, alguém que está atrás da porta. Mas não há ninguém, e nunca houve. E a casa se assemelha à um palácio de mármore do tamanho do mundo e lá sempre é fim de tarde. E tudo fica amarelo vazio nas paredes e nos móveis, e seus sentimentos se confundem com um grande enjoo existencial.
Ou quando a sua cara abre na janela contra uma montanha verde e o céu azul azul, e as coisas podem florescer e ficar bonitas, ou um trator pode passar em cima de tudo. E quando você vê, é você mesmo esse trator, e você tem flores entre os dentes e está rosnando para todo mundo e agora você já não tem mais raiva nenhuma, só um grande sentimento de que não valia a pena você ter um dia ido naquele lugar, porque, afinal, você se tornou um cachorro rosnador.
Ou quando chega um momento da vida que você começa a acreditar que realmente.... – e aí você é apenas mais um boçal acreditando em merda. E você vê que na verdade, há mais boçalidade ali do que você enxergava, e aí você vê que no fundo você é uma vadia e se pergunta como um dia pôde se enganar de sua própria índole.

16 de agosto de 2010

Quase tudo apagado.

16 de julho de 2010

De saber o quê importa, o quê fica, sempre. O encontro. um momento. que se estiiiiiica. Quando se fecha os olhos. do fundo da alma. o vazio, dentro dele, uma única coisa. uma fumaça, de infinitos significados.
Você me diz coisas ruins. eu acredito em todas elas. eu acredito, em tudo que você me fala, eu acredito. mas, se realmente fosse assim, se realmente fosse, então eu não poderia dizer isso. eu não poderia, por nao saber, nao ter podido experimentar, por haver uma certa falta de grandeza. essa piquinez que voce me fala. que eu acredito quando voce me fala. ela nao existe.
eu nao quero que acredite. quando cessa essa mínima prudencia e tem a angustia. mesmo assim eu nao quero.
deve-se retirar-se. deve-se calar-se. deve-se acatar, uma impressão de derrota, que nao existe, uma sensação muito ruim de tudo ruim que me fala.
só que naquela fumaça, nada disso importa. a chuva está caindo feito prego, coisas evidenciando os ciclos, e essa linha infinita, que vai de mim até você até o mais profundo futuro das nossas almas. ela está lá em cima e por isso ela não vê tudo isso que nao existe, que voce vê, que eu vejo, que voce me fala. a piquinez de mim, é invisível do alto. e eu só quero saber do que está no alto. a linha, que voce não vê, que não existe, que voce nao me fala. que eu vejo, que acredito, que penso e sinto. ela está esticada, do infinito ao infinito. tensionada. eu ando sobre ela. e eu caio todos os dias, há anos. caio para debaixo dos meus pés, e acredita você que também debaixo dos seus. caio até o infinito pra baixo, e quando vejo, estou lá novamente, como um presente da força benevolente do universo, ou um grande castigo do vazio.
nessa imensidão oca, eu sinto a minha respiração, pequena e miserável, como você me diz, e também sinto a sua, que se parece assim muito com a minha. ás vezes eu posso olhá-lo de frente.

14 de julho de 2010

Horrowshow é a palavra certa.

4 de julho de 2010

Não quero, não quero não quero não quero não quero não quero não quero não quero naquero naoquero não quero não quero não queronao quero não quero não quero não quero não qquero não quero não quero não quero não quero não quero
E então talvez eu possa
Calar.
Recuar.
Humilhar-me. Voltar para nada, mas longe, longe antes desse momento. Descansar.
Um prédio caiu. Alguém morre.
eu morro. Nós daqui de dentro de mim. De algum lugar devastado
cair. Lá no infinito debaixo dos pés. Cento e oitenta graus, assim o mundo virou. Oitenta acavalos marrados no corpo e dispara o tiro.

Eleva-se neste segundo. Como rezando por um cadáver. Ser tomado por trás dos olhos. Como se a coluna derretesse, derrete. Moendo carne com uma batedeira. Nada mais dolorido. Que isso.

16 de junho de 2010

Toma o livro nas mãos. Em volta, o azulado cobrindo seus ombros, como um manto, e todo o horizonte de edifícios. E o vento às vezes assobia.
Ali, naquele momento, há apenas um de si. Você. E isso se sente. Essa vibração azulada de tudo também o anestesia. É como se pudesse encostar docemente a cabeça na poltrona e ali ficar para sempre, para mais tarde acordar e passear ao redor, sem sair muito do lugar.
O livro nas mãos, suspensos na altura dos olhos. Vai falar algo bem grande e interessante. Coisas que as pessoas antigas pensaram muito antes de hoje, uma descoberta íntima de um desconhecido. Como ir para outro tempo. Viajar para o seu próprio futuro.

11 de junho de 2010

EU QUERO QUE TODO MUNDO NESTA PORRA VÁ SE FUDER!!!!
O TEATRO ESTÁ MOORTO. ESTÁ MORTO. ESTÁ MORTO E PODRE!!!!