11 de novembro de 2013

Deserto



Amolece,
Aos poucos sou capa dez ver que atrás da próxima cortina há um brilho
Não sei, acho que é o vento que me conta
e o calor
que as famílias são miragens dessa sociedade
após o grande dilúvio elas restarão como estatuas enterradas nas areias de um deserto
porque os mortos nunca vão embora.
nas casas da cidade, todas assoladas pela espera e submersas em brisa quente, as pessoas estão rodeadas de fantasmas.
Seus nomes surgem na hora do jantar, seus objetos pulam de dentro das gavetas, seus hábitos pousam de surpresa sobre os dedos dos vivos
Olha no espelho, veja seu rosto
Conversa com o fantasma que te guia.
Ouve a palavra que desvenda muito mais o futuro que o passado e denuncia mais a vida que se tem que a morte que o levou um dia de perto de você.
Agradece o fantasma que te constitui. Agradece ao batom do fantasma que ficou marcado na sua bochecha.
Reconhece a presença. Quando sair, acene e deixe uma luz acesa.